Disse Jesus: “Brilhe a vossa luz”. À primeira vista, essa orientação parece simples. No entanto, ela toca uma das maiores dificuldades humanas: reconhecer e expressar o melhor de si mesmo.
Muitas pessoas vivem como se carregassem uma luz coberta por camadas de medo, insegurança, ressentimento ou descrença. Não porque lhes faltem talentos ou virtudes, mas porque, ao longo da vida, ouviram críticas demais, enfrentaram decepções ou aprenderam a duvidar do próprio valor. Aos poucos, passam a acreditar que nasceram para ocupar lugares discretos, sem perceber que toda existência possui um propósito que ultrapassa interesses individuais.
A psicologia nos mostra que a forma como enxergamos a nós mesmos influencia profundamente nossas escolhas. Quem se considera incapaz frequentemente deixa de desenvolver habilidades que já possui. A filosofia também nos ensina que a realização humana está ligada ao florescimento das potencialidades. Aristóteles afirmava que a felicidade consiste em tornar-se aquilo que se é capaz de ser.
Há pessoas que transformam ambientes sem ocupar posições de poder. Fazem isso por meio da gentileza, da escuta, da serenidade diante das dificuldades e da disposição de servir. Sua presença torna os lugares melhores porque carregam uma luz que nasce de dentro. Um grande equívoco é imaginar que somente pessoas extraordinárias podem iluminar o mundo, a história demonstra exatamente o contrário. As transformações mais profundas quase sempre começam em pequenos gestos, uma palavra de incentivo pode impedir alguém de desistir, um ato de perdão pode interromper uma corrente de sofrimento, assim como uma atitude de acolhimento pode devolver esperança a quem já não a enxergava. A luz de que falou Jesus não é um privilégio de poucos; é uma possibilidade oferecida a todos. Brilhar a própria luz é viver com coerência entre aquilo que acreditamos e aquilo que fazemos; é transformar valores em atitudes. É compreender que a paz, a bondade e a compaixão não são conceitos abstratos, mas escolhas diárias.
Quando uma pessoa decide iluminar o espaço que ocupa, algo extraordinário acontece. Outras pessoas também se sentem autorizadas a fazer o mesmo e assim, silenciosamente, a luz se multiplica. Talvez seja esse o verdadeiro sentido do convite de Jesus: não esperar que o mundo se torne mais luminoso, mas assumir a responsabilidade de acender a própria chama e permitir que ela ilumine o caminho.
Suely Buriasco – Mediadora Corporativa e Escritora