A Terapêutica do Perdão

Postado em 22/05/2012 | 10 comentários

Por Suely Buriasco

A referência ao perdão tem extrapolado a visão religiosa e cada vez mais cientistas estudam esse ensinamento como terapêutica eficaz nas doenças físicas e mentais.

Aprendemos que o perdão deve ser incondicional com esquecimento total das ofensas. No entanto, a palavra “esquecimento” deve ser mais bem analisada neste contexto a fim de não dificultar ainda mais a nossa pueril capacidade de perdoar. Na verdade é humano memorizar qualquer situação boa ou ruim que vivenciamos, todas as ofensas são canalizadas para o nosso inconsciente de forma que a qualquer estímulo lembremos-nos delas mesmo que já se tenha passado muito tempo. Formam assim o que podemos chamar de “lixo mental” cuja carga negativa pode até estimular doenças. Assim, sempre é recomendável refletir sobre a necessidade de livrar-se desse amontoado de “sujeiras vibracionais” e também evitar seu acúmulo no dia-a-dia.

Para tanto é importante que nos dediquemos a mudar a nossa reação diante das ofensas recebidas, ou seja, antes de nos magoarmos diante delas reflitamos sobre a sua importância em nossa vida. Muitas vezes criamos mágoas em nossas mentes por ofensas que não merecemos, sofrendo longo tempo pela ingratidão e calúnia, entretanto se refletíssemos mais rápido do que nos magoamos, concluiríamos que não é sábio aceitar essa situação. Afinal, se não merecemos determinada ofensa, porque sofrer por elas?Aceitamos sofrer ingratidão porque exigimos dos outros uma troca de favores; eu sou bom com você e, portanto você deve ser bom para comigo. Entretanto, o bem deve ser praticado por acreditarmos que essa é a nossa melhor ação, independente da pessoa que recebe. Se não exigimos mais do que nos podem dar, evitamos acumular mais mágoas em nossa mente.

Também é importante que desenvolvamos uma ação efetiva para nos livrar das mágoas já acumuladas e é nesse ponto que o cultivo do perdão se faz mais necessário e, porque não dizer, mais difícil. Como simplesmente esquecer não é possível, podemos criar estratégias mentais para reeditar os fatos que nos fazem sofrer. Isso é possível a partir da busca sincera do lado positivo das pessoas e das situações a fim de amenizarmos seus atos. Acrescentando sentimentos positivos como o da compaixão fica mais fácil compreender que todos nós somos passíveis de erros e que ninguém pode ser feliz fazendo os outros sofrer. Quem magoa sofre muito mais que o magoado; pelo mal ou pela ignorância é sempre infeliz.

A ideia é fazer uma faxina mental através do exercício de acrescentar um sentimento bom a um ruim até que o primeiro prevaleça e que passo a passo possamos nos livrar de nossas “sujeiras mentais” assim como realizamos a higiene do nosso corpo. E assim, livres das mágoas poderemos nos enquadrar na célebre citação latina “Mens sana in corpore sano”, isso é: “Uma mente sã num corpo são”.

Perdoar é, acima de tudo, livrar-se do mal, mantendo a saúde e a boa disposição na vida!

 

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10 Respostas para“A Terapêutica do Perdão”

  1. Perguntinha dificil hein Suely ?? Eu vivo perdoando ! Qdo se tem familia grande , perdoamos em nome da familia. Mas , esquecer é dificil.Abraço

  2. Do Ceu says:

    Suely, o texto postado está dentro do objetivo que se propõe ,exato,pois esclarece de uma forma objetiva o significado da Terapeutica do Perdão,fechando com chave de ouro com a célebre citação:”Uma mente sã num corpo são”.realmente hj já se trabalha a relação mente e corpo,pois um afeta o outro e vice versa…..por isso,tenhamos o cuidado especial de sempre fazer uma inspeção mental ,seja através da meditação,reflexão…notificando-se de nossos atos perante a vida,pois somos reflexos para muitas pessoas ao nosso redor,e detendo conhecimentos valiosos como esse postado por você amiga,aumenta ainda mais a nossa responsabilidade espiritual em relação a vida como um todo.
    Te parabenizo pelo inteligente teor !Que seja não só balsâmico no momento da leitura e reflexão,mas que possamos realmente interiorizar a fim de que aprendamos a errar menos e acertar mais.
    Que Jesus seja sempre a bussóla a te orientar em conteúdos tão necessários do qual precisamos apreender.

    Beijos de luz e paz em sua iluminada alma!

  3. Rosane Gusmão says:

    Suely,

    será mesmo que “quem magoa sofre mais que o magoado”?

    Digo isso por mim, pois meu marido nos abandonou por outra mulher e transmite-nos que está feliz, enquanto eu a as minhas filhas amargamos esse abandono.Perdoar? eu perdoei, mas não esqueço, porque fiquei um trapo humano.Agora já se passaram 2 anos e me reergui, mas continuo só e o que é pior
    penso nele 24 horas por dia. E choro Suely, como eu choro!Tenho a sensação que nunca mais vou ser feliz, que nunca mais ninguém vai me amar.Já fiz terapia, mas a dor não passa, a ferida não sara.Realmente tá difícil me livrar desse mal.

  4. Marilena di Buriasco Meyer says:

    Suely, devemos sublimar os atos ou palavras ofensivos, de modo que nossa vida seja mais leve e feliz.

  5. Perfeito, Marilena! Obrigada, querida!

  6. Olá Rosane!

    Compreendo a sua dor! Minha intensão é inspirar reflexões que levem os leitores a desejarem escolher um caminho mais leve e satisfatório. A mágoa é um caminho muito triste e, certamente você não merece permanecer nele.

    Os graus de consciência nos seres humanos são diferentes, mesmo assim afirmo que quem magoa sofre mais, cedo ou tarde, ele se cobrará por seus atos. Ninguém fica indiferente a dor que provoca. Mas isso não quer dizer que seu ex-marido não esteja satisfeito com o novo relacionamento; são duas coisas diferentes.

    O que é importante esclarecer é que ele é responsável por seus próprios atos, mas a maneira como você reage a isso é responsabilidade sua.

    Que tal pensar mais em você? Pense em algo que a pode ajudar a desvencilhar-se dessa dor, corra atrás disso! Ame-se e não aceite que ninguém a faça sentir-se inferior a nada. Você é um ser único!

    Sofrimento tem que ter hora para acabar e dar lugar a emoções muito mais doces. Você irá se surpreender!

    Torço por você!

    Beijos

    Suely

  7. Suas palavras me encantam, Do Ceu! Tão bom compartilhar dos mesmos sentimentos!

    Que sejamos todos iluminados na busca de viver momentos de maior alegria, inspirando cada vez mais pessoas nesse intento!

    Grande abraço!

    Suely

  8. A pergunta é difícil mesmo, Fátima, mas produz boa reflexões, não é mesmo?

    Grande abraço, minha amiga!

    Obrigada por acompanhar sempre minhas postagens!

    Suely

  9. Lili says:

    Olá, Suely…
    Então. Tenho passado poucas e boas com meus filhos (23 e 24,5 anos) depois que me casei de novo. Não sei como agir com eles, que só estudam e não querem compromisso algum com a vida. O pior é que implicam com meu marido. Sinto lá no fundo que eles acham que têm direitos sobre mim e sobre meu dinheiro… não é horrível isso?

  10. Olá Lili

    Embora com quase nenhum conhecimento da situação, uma coisa me parece clara: a comunicação entre você e seus filhos não está nada boa. Assim, o primeiro passo seria abster-se das mágoas e procura-los para um diálogo afetuoso no qual você se proponha a entender as razões deles e a partir disso poder falar claramente das suas próprias razões. Assim você poderá evitar que esses conflitos se ampliem, provocando sofrimento em toda a família. Caso você não consiga articular sozinha esse diálogo, procure um especialista o quanto antes. Estou a sua disposição pelo e-mail suely@suelyburiasco.com.br
    Grande abraço!!
    Suely

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